Multimedia: dois sites

Fui dar uma volta aos meus feeds do Bloglines para passar tempo. Depois volto lá nas férias, em Agosto. E a partir de Ponto Media, passei por dois sites que me deixam desmoralizado pelo atraso que eu, este site e os media portuguese levamos. A verdade é esta e estou sempre a voltar a ela: é mesmo preciso saber programação e/ou design para ser um bom jornalista online. O primeiro tem 15 sites pessoais de jornalistas. António Granado, do blog, refere que os jornalistas e os estudantes de jornalismo deviam olhar para aqueles exemplos, mas eu vou mais longe: quase todos fazem inveja aos órgãos de comunicação portugueses. O outro é o Interactives Narratives e vai publicando trabalhos multimédia. Concentrei-me no City of Memory, trabalho fabuloso.

Refresh

Três coisas que me vieram através da newsletter do Editors Weblog:

- Surprise, surprise, o Figaro não só tem um site bem feito, como uma estratégia para o futuro que avança pelos conteúdos audiovisuais;

- A Vanity Fair faz um index dos blogs mais influentes, graficamente muito bem conseguido;

- O melhor para o fim: a revista do Air Force 1 com uma infografia sobre a guerra no Iraque (para quando isto se torna uma moda, meu Deus!? Será difícil de perceber que é por aqui?)

Regresso de férias. Desconectado dos media. Durante esta semana de ausência, houve tiroteio na Quinta da Fonte. Quis ver isto e o resto que se estava a passar, e passei pelos sites portugueses. Todos eles referem como está a situação: as famílias ciganas vão ser realojadas. No Público, pouca informação sobre este caso e o irritante leak de Última Hora. Expresso: quase nada, mas duas coisas chamaram-me a atenção. Uma delas, um vídeo captado por uma equipa da SIC. Óptimo, mas clico no play e é transmitida a abertura de um telejornal com a Clara de Sousa… Outra coisa, é o que se passa nos blogues. No Tiros em Loures vistos na blogoesfera I aparece uma notíca a descrever o que os blogues estão a falar, sem links. No Tiros em Loures vistos na blogosfera II já aparecem os links, mas num corpo de letra mais pequeno (?) e inexplicavelmente uma segunda parte sobre o que se tem dito de Alberto João Jardim, que obviamente não tem nadaa ver com o caso. Vou ao DN, e aparece-me apenas as três chamadas de página. Em baixo, querendo ler uma dessas notícias (Alegre admite votar contra Código do Trabalho), clico e a página toda do DN está em baixo. Desisto. Vou ficar à espera do You Tube e fazer uma pesquisa em blogues.

Huff Post

No curso que estou a tirar – Online Journalism Workshop, do programa UT Austin/Portugal – pedem para verificar o Huffington Post como “entrada” para aquilo que está a acontecer no jornalismo online. Eu não podia estar mais de acordo porque acho o Huff Post um dos sites de jornalismo online mais bem conseguidos e aquele que apresenta o modelo de negócio mais franco e stick to the point. Leia-se a propósito este artigo da New Yorker.

Primeiro, é construído na web e para a web; não tem pretensões em substituir nenhum dos sites dos jornais, mas já o faz. O Huff Post não tem uma preocupação muito grande em dar a notícia em primeira mão. Eles perceberam que não é isso que interessa, porque a informação é replicada ao segundo e em várias fontes. Não só o percebeu como é daí que parte. O Huff Post faz a sua notícia de abertura – outra característica pouco comum – baseada no linked journalism fazendo referência às fontes citadas conforme o pedaço de informação que é referido. As fotos são quase sempre da Associated Press. Mas tal foi o crescimento, a popularidade e a influência do jornal que as próprias fontes começaram a passar informação para ser aí divulgada. De cor, posso citar a notícia do principio do fim da campanha de Hillary Clinton, quando o seu director de campanha se demitiu. Essa informação foi deles. De qualquer forma, o que interessa é chamar e fixar leitores.

O Huffington Post tem poucos jornalistas mas muitos editores de comentários. O segredo do sucesso do site está aí: nos comentários. As notícias chegam a ter mais de 3.000 comentários (por ex, quando Obama se viu a braços com o reverendo). O site consegue ter este número de comentários visíveis porque cria uma relação com os leitores comentadores que não se fixa nessa notícia. Os leitores comentadores têm uma conta do Huffington Post que utilizam para assinar os seus comentários e a partir daí poderem até vir a ser convidados para pertencer ao stuff do Huffington Post, nem que seja como comentador mais evoluído, ou seja, blogger.

A notícia é dada com a maior brevidade e com a contextualização linkável. No fundo, apenas faz aquilo que todos fazemos. Pegamos nos aspectos mais simples da notíca (o lead) e procuramos mais informação por outras fontes. É ridículo exigir da mesma fonte digital toda a explicação para o facto. Eu é que construo o facto, conforme o ângulo que pretendo e não o jornalista.

Nesta mesma lógica, faz pouco sentido dispender recursos com cobertura multimedia. Ela aparece no Huff, mas apenas como curiosidade e quase sempre ligada a temas de entretenimento ou gossip news. As notícias de primeira página são sempre dadas em texto. A notícia do dia nem sequer tem texto na primeira página. Tem um título catchy, com uma foto que linka para a informação. Mas, em alternativa, aparecem por baixo da foto os comentários lado a lado com o link para a notícia, a que eles chamam de quick read! E este quick read aparece numa janela à parte, tipo snapshot, and gess what, são só dois parágrafos com a possibilidade de sair para a notícia toda ou para partilhar.

Isto sim, é um achado! Um software open-source para revistas científicas ou de suporte a conferências. Utilizado em Portugal pelo Obercom.

A SIC lançou um novo portal de notícias. É sabido que Pinto Balsemão é um adepto do jornalista de mochila às costas. O site integra o que sai em televisão, mais produção específica para online. O grafismo funciona bem. Mas o que mais me interessou foi a forma como a informação está organizada. Primeiro: tem edição de notícias em vez do ping das últimas cachas. Segundo: todas as secções estão na mesma página, com uma estrutura semelhante, é certo, mas com algumas diferenciações como o Tempo na secção País. As notícias é que abrem para a página da secção e aí há mais secções. A página tem apenas essa notícia e é aí que estraga tudo. O trabalho em texto é acompanhado por um “vídeo” e mais nada. Nem relacionados, nem comentários, nem send to, nada. Onde é que está a interactividade, com os meios que o grupo Impresa detém (Expresso, Visão, canais SIC, Exame, Turbo)?

A web pode dar um jeitinho para escrever notícias de factos. Quem as sabe fazer no papel, consegue adaptar para web. Na rádio, ainda melhor, a linguagem está mais próxima. Mas isto em factos, no jornalismo dos três Q’s. E em produtos?  Como é que se escreve um ensaio sobre um carro na web? Ninguém sabe; nem aqui nem no resto do mundo.  Ou sobre um filme? Há algum site que saiba dar informação relevante sobre este tipo de coisas? Não. O problema não está no texto. O problema está em utilizar texto. Decorar isto: em web não se escreve sobre produtos. A web dá coisas muito melhores do que o texto. O texto não é a melhor forma de comunicar produtos! Toda a gente sabe isto, menos os jornalistas. E o mesmo para as pessoas. Sim, para as pessoas. Ou o crescimento das redes sociais é por acaso?

PS: De qualquer forma, que saudades da revista Icon.

Se eu quero um bom CSS, acho que o Drupal, gratuito e opensource, que deu o site para o NowPublic, pode vir a dar jeito…

Mapa da web ‘08

Num formato de mapa, baseado nas linhas do Metro de Tóquio, um guia da web para este ano. O SAPO aparece lá.

A Safe2Pee faz um verdadeiro serviço público com Google Maps, ao mostrar que WC públicas existem nas cidades. Outras utilizações aqui.

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